Sem vocação pra ser adulta

Me sinto presa dentro de um estereótipo datado do que se espera de um adulto. Quem não se adequa, é taxado de louco, anormal, diferente, mas, lá no fundo, o que todos queriam era simplesmente se permitir alguma criancice vez ou outra. Afinal, em que momento da vida perdemos a permissão de sermos crianças?

A sociedade espera que percamos nossa espontaneidade, pureza e molecagem porque agora a coisa é séria. E chata! Mas deixa que com o tempo você se acostuma. Será? Nada de correr, nada de televisão, nada de se animar pela caixinha do correio, nada de brincar, nada de dar asas à imaginação e, em hipótese alguma, dance em público. Ah, pois é, e não adianta chorar, você não é mais uma criança, ou já se esqueceu? Adultos não choram. São fortes. Maduros.

Ok. Mas o que é ser maduro? Quem é maduro não fraqueja, não sente medo, não tem incertezas. Quem é maduro não vacila, não comete erros, é responsável. Quem é maduro assume o controle da própria vida. Mas já viu alguém 100% maduro por aí? Eu não.

Ser adulto é aquele que cresceu em altura? Pelo visto ainda sou uma criança então certo? Mas atire a primeira pedra quem nunca se referiu a ser adulto quando tivesse o tamanho dos seus pais? O problema é que não adianta crescer em tamanho e não crescer emocionalmente. Só que acontece…e muito!

No fim das contas, será que nós – adultos – não somos todos crianças que crescemos em estatura e atingimos a idade para assumirmos responsabilidade por nossos atos, devendo ter maturidade para enfrentarmos as adversidades da vida, mas que no fundo acabamos crescendo mais em tamanho que emocionalmente?

Quantos não choram escondidos no banheiro? Quantos já não tomaram uma atitude insensata? Quantos nunca dançaram no quarto com a porta fechada? Quantos não querem chamar os pais quando a situação aperta? Quantos não ligaram a TV e se deliciaram assistindo aquele desenho? Quantos já não fizeram alguma…criancice? Muitos. Sabe por quê? Porque é bom! Não apenas bom, é necessário: torna nossa vida muito mais fácil e simples.

É muito bom ser e ter saudades de ser criança, mas não são todos que se permitem trazer essa criança a tona por considerarem tudo que não é ser adulto ridículo. Na verdade, devemos parar de esconder que somos todos crianças…crianças que cresceram.

Anúncios

Nossos pais…nossos espelhos

Todos nascemos com uma enorme bagagem genética. Carregamos traços, expressões, modos de ser daqueles que nos antecederam.

Nossos primeiros espelhos em busca de identidade são nossos pais, aos quais nos jogamos de braços abertos, sem questões. É  a confiança que se instalou desde que começamos a nos entender por gente. Julgamos que se nossos pais fazem, deve ser certo, então eu também posso fazer.

Nem todo mundo tem consciência e nem se dá conta da responsabilidade intrínseca. Achamos que a vida forma as pessoas, mas nos esquecemos que nossos pais são os primeiros espelhos nos quais nos refletimos, ainda que muitas pessoas ainda insistam em negar a relevância das crenças paternas e maternas na sua vida e quanto este exemplo as guia.

Acho engraçado certas pessoas que contam de seus pais e da vida deles próprios e acham que estão falando de vidas distintas. Não, não estão! Para mim, essas vidas, em grande parte dos casos, são uma releitura atualizada da mesma história.

A visão de mundo que possuímos, devemos aos nossos pais. Somos levados a seguir essa visão quase que rigorosamente. Os apavorados, tentam correr para o lado oposto, tentando negar esse espelho. Quanto mais lucidez tivermos ao observar nossos pais, mais poderemos aprender de nós.