Manifesto Feminista


Nas rodas de conversa, você já deve ter ouvido o termo feminismo, já que estamos vivendo um momento pautado pelo tema. Vejo muitas pessoas xingando e se dizendo contra sem ao menos saber o que significa.

Por favor: o feminismo não é o inverso do machismo! O machismo nada mais é do que um sistema de dominação, superioridade de um sexo em detrimento do outro. O feminismo é um movimento social, filosófico e político que prega a igualdade entre os sexos. Captou a diferença?

Por mais incrível e absurdo que possa parecer, existem mulheres que perpetuam o machismo por aí, impondo a supremacia feminina e, até mesmo, se impondo a outras mulheres. Dizem considerá-lo natural (!!!), se tornando coniventes com sua própria objetificação. Temos que entender que a vida de muitas mulheres ainda é minada, quando não destruída, pelo machismo da sociedade.

Mulheres foram julgadas como incapazes por milhares de anos, mas nos últimos 2 séculos, muitas mudanças vem ocorrendo contra essa opressão histórica. Uma luta que mal começou e que ainda tem um longo caminho a percorrer…

Se os tempos mudaram e nós, mulheres, podemos trabalhar, estudar e ter voz ativa, foi graças ao feminismo, apesar da relutância de algumas “filhas do feminismo” reconhecerem o real valor disso e dizerem não precisar do feminismo. Sim, nós precisamos do feminismo! E o ponto de partida é entender que a sociedade não é igual para homens e mulheres.

Enquanto existirem regras do tipo “mulher não pode isso, mulher não pode aquilo” por trás de um machismo travestido de valores familiares ou bom senso, o feminismo será necessário. Enquanto tivermos que ignorar olhares e abordagens invasivas, o feminismo será necessário. Enquanto tivermos medo de andar sozinhas na rua à noite, o feminismo será necessário. Enquanto houver o medo de ser violentada verbal, sexual ou psicologicamente, o feminismo será necessário. Enquanto nossa média salarial for inferior a dos homens, o feminismo será necessário. Enquanto a sociedade impuser padrões de beleza, comportamento e vida, o feminismo será necessário. Enquanto meu caráter for medido pelo comprimento do meu vestido, o feminismo será necessário. Enquanto não nos sentirmos livres o suficiente para escolhermos ser o que quisermos, o feminismo será necessário.

Ter algo a dizer não significa má atitude. Aliás, se você tem realmente algo a dizer, saia e conte para o mundo! Porque ser feminista é lindo, é importante, é sinal da inteligência e da decência de qualquer ser humano. Como diz a ativista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie: sejamos todos feministas!

 

À Jully

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De volta ao ano 2000…ano que deu início à nossa história. Um presente há muito desejado (comum nessa fase da vida): meu primeiro bichinho de estimação. O coração ao mesmo tempo alegre e ansioso indo ao encontro da realização de seu sonho.

Foi amor à primeira vista. Como explicar essa sensação causada por esse pequeno ser de quatro patas que eu mal conhecia? Será seu olhar cativante? Sua empolgação por alguém que nunca havia visto? Sinceramente? Não existe explicação e ponto! Uma certeza já estava comigo: se chamaria Jully.

A cada dia que passava, esse novo membro da família encantava e cativava todos ao seu redor. Mesmo demonstrando grande independência e até mesmo um ar autoritário e esnobe, essa “criança” demonstrou a imensa companheira que podia ser nos 15 anos que nos brindou com sua presença.

Era alguém que nunca me cobrava nada além de carinho e amor, que era devolvido em dobro, um ser fiel que estava sempre ao meu lado. Era, definitivamente, a “chefe” da casa, mandando e desmandando em todos os outros cachorros –  e, até mesmo, nos humanos da casa (rs).

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Mas, como tudo que desce ao nosso planeta não é feito para durar para sempre, há um ano minha “filha” e melhor amiga, tendo cumprido sua jornada com maestria,  foi descansar no céu dos cachorros. A dor e a saudade que deixou serão difíceis de serem superadas, mas sei que o tempo tudo cura.

Sei que aproveitei ao máximo de sua adorável companhia, mesmo com seus rosnados e olhares ameaçadores. Dei a ela o melhor que pude para que tivesse uma vida feliz e saudável e que, nesse momento, ao lado de São Francisco, seu protetor, continua a olhar por mim de onde estiver, meu anjinho de quatro patas!

Como bem cantou Milton Nascimento: “…qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar…”

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À deriva

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Você acreditava em um sonho…e isso te fazia sorrir. Então você decidiu correr até ele e transformá-lo em um plano, um guia. Todo o caminho estava traçado ali, não havia mais o medo de se perder, bastava segui-lo. Em seu barco vão a fé, força de vontade, coragem, atitude e a esperança. A viagem é para os fortes e a maior apoio que irá conseguir, certamente virá da sua própria tripulação!

Todos a bordo!

E o tempo passa… passa…passa…voa. As folhas arrancadas dos calendários dariam voltas e mais voltas na Terra. Alguns desses dias foram de sol, porém as tempestades eram frequentes e te chacoalharam violentamente, te deixaram com marcas e cansado. Arrastaram seu barco pra mares que você não reconhece no seu mapa. Você está perdido, à deriva…e não consegue perceber ou aceitar… Um pobre barquinho, distante de qualquer porto que lhe ofereça acolhida. A quem pergunta, você sequer sabe responder como ou quando foi que isso aconteceu. “Onde eu errei??”

Contudo, como bem sabem os aventureiros, perder-se é necessário antes de se encontrar.

A esperança, única companheira que sobrou à bordo, te faz lembrar o porquê de você mesmo, o próprio capitão da embarcação, ter se lançado ao mar. E esse é o impulso mais forte que suas velas experimentaram, talvez mais forte que o primeiro. E é isso que este barco precisava para voltar a navegar.barquinho